METAMORFOSE COLETIVA

Lisa Alves - Brasília/DF

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

O Joio e o Trigo ou Malhando o Judas




Nesta semana assisti nos noticiários que assassinaram um grupo de pessoas em uma chácara por conta de uma dívida de 4.000 reais. As mortes receberam a seguinte justificativa: “Algumas vítimas já tinham passagem na polícia.” E de vítimas transformaram-se em elementos executados.

Quanto vale a tua vida? Um nome? Um status? Uma boa referência?
A vitima é assassinada. O elemento executado. Cada um morre como pode, assim como cada um vive como pode. O elemento só é cidadão nas urnas. A vítima um ator social, cujo papel é importante para mover a mola sistêmica.

Quem faz falta? Qual crime é hediondo?
Uma menina foi jogada de um prédio em São Paulo, um menino arrastado por um carro nas ruas do Rio de Janeiro e no Distrito Federal todos os dias “O Policia nas Ruas” noticia assassinatos de menores vítimas da violência doméstica, urbana e social. Não hedionizaram o massacre dos menores, a folha só circula porque vende sangue e o editor chefe provavelmente já foi açougueiro no passado.

Extra, extra! Policial civil atira em ladrões na porta da Caixa Econômica Federal.
Extra, extra! Dep. Furtador do Seu Dinheiro é preso em cela especial. Após dois dias é liberado, pois não há provas concretas de desvio de dinheiro. Passará uma semana em uma ilha grega para recuperação do trauma. E amanhã você vítima-ator-social e elemento-urna o elegerão novamente.

Assim sempre continua a mesma história: malha-se o Judas e esquece que a traição apenas fazia parte de um esquema maior. O ladrão pequeno sempre é massacrado e a vitima pequena torna-se sempre apenas mais um elemento executado.


Lisa Alves


Espaço do leitor:

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